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 UM  OLHAR  SOBRE  VASSOURAS

( INTRODUÇÃO )






                     Um  olhar  sobre  Vassouras


                                       

                              Vassouras vista do Mirante Imperial



Em três anos de moradia lancei um olhar sobre Vassouras e registrei o que vi, o que soube, o que aprendi!     Mas ainda há muito o que ver, o que saber, o que aprender!   (Jomar  Dital)



Dedicatória

Dedico este singelo trabalho a todos aqueles que se dignarem a lê-lo com interesse e vontade de conhecer um pouquinho desse lugar especial que aprendi a amar em pouco tempo: sua rica história e suas estórias, seu clima, suas paisagens, sua cultura e o jeito de se viver.



Agradecimentos

1 - Primeiramente a Deus pelas muitas oportunidades que me tem concedido de conhecer diversos recantos do Brasil possibilitando-me conhecer um pouco da história e das particularidades de cada localidade em que tenho residido.

2 - A minha esposa que me entende, me aceita e me tolera.

3 - A todos aqueles que direta ou indiretamente contribuíram, alguns sem nem o saber, para que esse trabalho pudesse ser realizado.

4 - À cidade de Vassouras que com sua história, suas tradições e seu patrimônio forneceu os elementos para compor o conteúdo aqui apresentado.

5 - A todos aqueles que por acaso tiverem a oportunidade de ler essas páginas porque estarão correspondendo ao fim desejado ao idealizar e decidir-me na aventura de registrar o que vi, o que conheci e o que aprendi em pouco tempo de vivência nessa encantadora cidade.

Muito obrigado!



Sumário

1 - Introdução

2 - Apresentação

3 - Resumo Histórico

4 - Centro Histórico

5 - Os Barões de Vassouras

6 - O Mito Eufrásia Teixeira Leite

7 - A Casa da Hera

8 - Outras Personalidades

9 - Manoel Congo

10 - Patrimônio Histórico

11 - Os Órfãos de Eufrásia

12 - A Linguagem dos Leques

13 - O Testamento

14 - Fazendas Históricas

15 - Mara Palace Hotel

16 - Santa Casa de Misericórdia

17 - Andreia Pit

18 - Observatório Magnético

19 - PIM

20 - Capela de Santa Rita

21 - Projeto Ensinar Aprendendo

22 - Casa de Encontros e Orações Betânia

23 - O Burrinho Pimpão

24 - Folia de Reis

25 - Caninha Verde

26 - Sarau Intinerante

27 - Tradições Afro Brasileiras

28 - Eventos

29 - Curiosidades



INTRODUÇÃO


Vassouras:


* A Princesinha do Café


* A Cidade dos Barões


* Seu Mito, Eufrásia Teixeira Leite


* A Coimbra Brasileira



A Princesinha do Café

Uma cidade rica em história que conheceu nos tempos áureos do ciclo econômico do café o seu apogeu construído sob a égide dos dois extremos da sociedade. No ápice da pirâmide a sociedade aristocrática dos barões que já chegaram enriquecidos com a lavra de ouro nas Minas Gerais e prosperaram ainda mais explorando a cultura cafeeira, levando o café a tornar-se o principal produto de exportação brasileiro, exportando para o mundo mais de um milhão de arrobas por safra, isso em meados do século XIX, com toda a dificuldade de transporte entre o Vale do Paraíba e o porto do Rio de Janeiro, servindo-se de tropas de burros e mulas e consumindo mais de oito dias por viagem, considerando-se apenas a volta.

No sopé da pirâmide a mão de obra escrava abundante, explorada e maltratada, cuja população era mais que o dobro da população de brancos dominantes, considerados mercadoria de propriedade de seus senhores.


A Cidade dos Barões

Em seu apogeu de glória Vassouras contou com 25 barões, 7 marqueses, uma condessa, 2 viscondes e uma viscondessa.


Seu Mito Eufrázia Teixeira Leite

Ainda hoje reverenciada e venerada como a maior e mais importante benemérita da cidade.


A Coimbra Brasileira

Por fim, em meados do século XX um general empreendedor implantou na cidade a primeira faculdade de medicina do interior do Brasil, a exemplo da cidade de Coimbra, em Portugal, na qual se inspirara, cuja fama e competência atraía estudantes abastados de todo o mundo. Por isso Vassouras foi cognominada também de A Coimbra Brasileira.



APRESENTAÇÃO


Vassouras é um município situado ao sul do estado do Rio de Janeiro na região do Vale do Paraíba, a qual teve seu apogeu de riqueza e requinte na segunda metade do século XIX, durante o período da história do Brasil conhecido como O Ciclo do Café, quando a região tornou-se um dos principais sustentáculos econômicos do império brasileiro. Foi denominada A Princesinha do Café por ter se tornado na época o maior produtor mundial de café, exportando para o mundo mais de um milhão de arrobas por safra, apesar das dificuldades de transportar, em lombo de mulas, a produção para o porto do Rio de Janeiro.

Sua glória econômica foi construída com uma organização social firmada em dois extremos: A classe dominante, da nobreza, e a classe dominada, os escravos.

Foi o braço do trabalhador escravizado, subjugado, explorado, maltratado, que construiu a Vassouras suntuosa da segunda metade do século XIX cuja história hoje é a atração maior da localidade.

Houve um período na história do Brasil que ficou conhecido como o Ciclo Econômico do Café. Uma fase de pouca duração, pouco mais de 50 anos, mas marcado por grande opulência, em especial no Vale do Paraíba.

No início do século XIX, quando o ouro escasseou nas Minas Gerais, o centro da economia nacional transferiu-se para a região do Vale do Paraíba onde a produção cafeeira se intensificava e o café passou a ser o principal produto de exportação brasileira e a principal matriz econômica do país. Vassouras, que então compreendia os hoje municípios de Mendes, Paty do Alferes, Miguel Pereira, Sacra Família, Paulo de Frontin e parte de Paracambi, tornou-se o maior exportador de café do mundo, responsável por mais de 70% das exportações brasileiras do produto. O café, de tão rentável, ficou conhecido como o “ouro verde” e Vassouras, por sua produção e significação econômica foi cognominada A Princesinha do Café.

As plantações de café também se expandiam pelos municípios vizinhos de Valença e Paraíba do Sul e já eram o principal sustentáculo econômico do Império do Brasil. Paty do Alferes era a mais rica das freguesias do arraial de Vassouras, o local original de colonização da região e a sede da administração, já que era o caminho mais antigo entre o porto do Rio de Janeiro e as Minas Gerais.

A riqueza produzida com a exploração do café, porém, fez surgir a nobreza na região e foram muitos os produtores agraciados com títulos nobiliárquicos, sendo mais comum o de barão, daí que Vassouras passou a ser conhecida como A Cidade dos Barões porque lá viveram 25 barões, 03 marqueses, 01 visconde e 01 viscondessa. Também fez surgir a aristocracia, isto é, a política era exercida pelos nobres e influentes na corte. Tamanha foi a influência dos barões do café na corte que obtiveram a transferência da sede administrativa de Paty do Alferes para Vassouras, reduzindo a antiga sede à condição de arraial.

Na década de 30 daquele século foi grande o desmatamento na região para expansão das terras agricultáveis. O intenso crescimento econômico necessitou empregar grandemente a mão de obra escrava. Os escravos eram comprados em outros estados ou importados da África. Foi a época em que o Brasil mais importou escravos da África de modo que rapidamente a população de escravos tornou-se maior que a população de pessoas livres na região de Vassouras. Segundo registros históricos a população de Vassouras em 1840 era de 20.589 habitantes, sendo 6.225 indivíduos livres e 14.364 escravos. Em 1888, quando foi abolida a escravidão, a população de Vassouras ultrapassava os 36.000 habitantes sendo que mais de 24.000 indivíduos eram escravos.

Os escravos homens e jovens eram os preferidos pois a maior parte do trabalho consistia em derrubar matas, plantar e capinar, o que requeria grande vigor físico. Entretanto, os escravos africanos eram temidos pela rebeldia e pelo desconhecimento da língua, dos costumes e da religião cristã.

A história de Vassouras pode então ser contada sob dois pontos de vista bastante diferenciados. Do ponto de vista dos nobres, que compuseram uma sociedade altamente requintada e com grande influência europeia e do ponto de vista da escravidão, que afinal foi quem produziu toda a riqueza que proporcionou o apogeu.

Entretanto, em fins do século XIX, com o cafezal envelhecido e a terra exaurindo-se pela produção excessiva e com a abolição da escravatura que praticamente acabou com a mão de obra produtiva, Vassouras entrou num período de decadência econômica. Respirou aliviada nos anos 30 do século XX com a exuberante herança deixada por Eufrásia Teixeira Leite mas voltou a retrair-se e nos anos 60 um empreendedor, o general Severino Sombra de Albuquerque, instalou na cidade uma faculdade de medicina, a qual evoluiu e tornou-se no que é hoje a Fundação Educação Severino Sombra que abrange uma universidade, um hospital universitário, o colégio de aplicação, o complexo esportivo cognominado de Sombrão e o recém inaugurado Centro de Convenções.

A Vassouras de hoje conta com uma população de mais de 35.000 habitantes e conserva ainda muitas das características tradicionais. Seu centro histórico é todo tombado pelo IPHAN (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional), porém parte de seu patrimônio arquitetônico encontra-se deteriorado e sem condições de restauro que lhe permita voltar às condições originais. É uma cidade agradável para se conhecer e se viver. Possui clima ameno durante quase todo o ano, um pouco frio no inverno e não muito causticante no verão, e um povo amável e acolhedor que mescla as características de reserva do povo mineiro com a irreverência do carioca.   

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