OS BARÕES DE VASSOURAS

                             

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                   O S    B A R Õ E S



D E 



V A S S O U R A S





VASSOURAS, CIDADE DOS BARÕES

Vassouras tem esse título porque foi a cidade individual onde residiu o maior número de pessoas com títulos nobiliárquicos no período imperial. Viveram na cidade 27 barões, 2 marqueses, 7 viscondes, uma viscondessa, um conde, uma condessa.

Entre os nobres destacaram-se: O Barão de Ayuruoca, o Barão do Campo Belo, o Barão de Itambé, o Barão de Vassouras, o Barão do Ribeirão, o Barão do Tinguá, o Barão, e depois Visconde, de Cananeia, entre outros, e Joaquim José Teixeira Leite, que não possuía título de nobreza mas foi uma das maiores (quiçá a maior) fortunas do lugar e exerceu grande influência política, econômica e social na vida de Vassouras, e sua filha Eufrásia Teixeira Leite, que tem uma história de vida invulgar.

Com a finalidade de manter a riqueza sempre no seio familiar os homens se uniam às mulheres parentes próximas, primas e até sobrinhas, como o Visconde de Cananeia que se casou com Carlota de Avellar e Almeida, filha do irmão, Marcelino de Avellar e Almeida, o Barão de Massambará, logo, sua sobrinha. O Barão de Vassouras foi casado duas vezes, ambas com primas.O Barão de Itambé (família Teixeira Leite) e o Barão de Campo Belo (família Corrêa e Castro) se entrelaçaram e uniram suas riquezas através do casamento de seus filhos: Joaquim José Teixeira Leite com Ana Esméria Corrêa e Castro.E ainda os Avelar e Almeida e os Ribeiro de Avelar, compuseram redes sociais de parentela de enorme poder financeiro, político e social.

Além do entrelaçamento de famílias, o compadrio, a formação de associações de caridade, da maçonaria, e de irmandades religiosas, foram cruciais para as conexões pessoais e sobrevivência da oligarquia.

Desde a criação da Vila de Vassouras, em 1833, até a Proclamação da República, em 1889, encontramos a permanência, como Presidentes da Câmara Municipal os Correia e Castro, os Teixeira Leite, os Avelar e os Leite Ribeiro, notadamente as famílias mais influentes no período. Lembrando que naquele tempo não existia prefeitura e as decisões e ações sobre o funcionamento das cidades eram exercidas pelas câmaras municipais. Na prática, o papel de alcaide era exercido pelo presidente em exercício da Câmara Municipal.


O BARÃO DE AYURUOCA

Custódio Ferreira Leite, o Barão de Ayuruoca, nasceu às margens do Rio das Mortes, onde hoje está localizado o atual município de São João Del Rei, em 03/12/1782, no ciclo econômico do ouro, e faleceu na Fazenda Louriçal, de propriedade de seu irmão Francisco Leite Ribeiro em Arraial do Cágado, hoje município mineiro de Mar de Espanha, fundado por ele, em 17/11/1859, aos 77 anos. Era filho do português José Leite Ribeiro que veio para o Brasil atraído pela lavra do ouro. Custódio, ainda em Minas Gerais, foi militar pertencente ao Corpo de Ordenanças, cuja missão principal era vigiar e fiscalizar a picada de Ayuruoca, trilha muito atraente para os contrabandistas de ouro.

Foi Bacharel em Direito, Fazendeiro, Cafeicultor, Capitão-mor, Major e Coronel da Guarda Nacional e Político de grande importância por seu papel destacado na história do Vale do Paraíba. É reconhecido como o fundador de Barra Mansa e de Mar de Espanha e construiu estradas, escolas, templos e monumentos em toda a região. Construiu as Igrejas Matrizes de Barra Mansa, Valença, Conservatória, Areal, Vassouras, Sapucaia e Mar de Espanha. Foi Deputado Provincial de Minas Gerais e Possuía a Comenda da Imperial Ordem de Cristo. Era o décimo filho do português José Leite Ribeiro e de D. Escolástica Maria de Jesus Morais e irmão de Francisca Bernardina do Sacramento Leite Ribeiro, a baronesa de Itambé, a avó paterna de Eufrásia Teixeira Leite, logo, era tio-avô de Eufrásia. Casou-se em 26 de outubro de 1811 com a Sra. Tereza Maria Rosa de Magalhães Veloso Ferreira Leite, filha de Henrique Louzada de Magalhães, português vindo para o Brasil, e de Maria Josefa da Conceição Veloso. Tiveram três filhos: José Custódio, Francisco Galdino e Antônio de Pádua Ferreira Leite. Em maio de 1855 foi laureado com o título honorífico de Barão de Ayuruoca por decreto do imperador D. Pedro II, pelo seu desprendimento e sua ação participativa em prol do desenvolvimento do Vale do Paraíba. Desfrutou do título, porém, por pouco mais de quatro anos.

Sua importância para a cidade de Vassouras está na construção da Estrada da Polícia, em 1820 ligando o Rio de Janeiro a Minas Gerais, juntamente com seu irmão, o comendador Anastácio Leite Ribeiro e com Francisco José Teixeira, o Barão de Itambé, e pela construção da Igreja Matriz de Nossa Senhora da Conceição em 1828. A passagem dessa estrada por Vassouras proporcionou grande desenvolvimento e enriquecimento ao lugar.

Possuidor de uma das maiores fortunas, senão a maior, suas fazendas, tocadas por mão de obra escrava (chegou a possuir 267 escravos), produziam além de café, açúcar, queijo, e cachaça que eram levados para serem vendidos nos mercados do Rio de Janeiro.

Foi benemérito de várias localidades do Vale do Paraíba. Por fim, fixou residência em Arraial do Cágado, emancipou o local elevando-o a cidade e obtendo do governo provincial a mudança do seu nome para Mar de Espanha, atual município mineiro de Mar de Espanha.

Seu título faz referência à cidade de Aiuruoca, cujo nome em tupi significa "Casa dos Papagaios".

A Estrada da Polícia teve uma importância tão significativa para o desenvolvimento de Vassouras que o Barão de Vassouras chegou a declarar que "se a estrada não passasse por Vassouras seria necessário mudar o local da cidade para as margens da estrada".


O  BARÃO DO CAMPO BELO

Laureano Correia e Castro, o Barão do Campo Belo, avô materno de Eufrásia Teixeira Leite, nasceu em Paraíba do Sul em 1790 e faleceu em Vassouras em 09 de janeiro de 1861, aos 71 anos. Foi fazendeiro e político de grande importância para a criação das hoje cidades de Vassouras e Paty do Alferes.

Foi o primeiro presidente da câmara municipal de Paty do Alferes, fundada em 1820. Em 1821 comprou duas fazendas na futura Vila de Vassouras: A Fazenda do Secretário e a Fazenda São Francisco do Tinguá. Em 1833 foi eleito para a Câmara Municipal da recém criada Vila de Vassouras, para onde se mudara e para onde foi transferida a sede municipal que funcionava em Paty do Alferes. Foi também coronel e Comandante Superior da Guarda Nacional de Vassouras e Iguaçu e em 1839 lutou contra os escravos fugitivos na revolta comandada por Manoel Congo e Mariana Crioula. Foi também Cavaleiro da Ordem de Cristo e Comendador da Ordem da Rosa. Recebeu o título de Barão em 02 de dezembro de 1854, concedido por D. Pedro II. Contratou o engenheiro Júlio Frederico Koeler para reformar a casa da Fazenda do Secretário, o qual construiu uma suntuosa casa de fazenda em estilo neoclássico. Os salões da casa foram decorados com pinturas e afrescos do famoso arquiteto e pintor catalão José Maria Villaronga. Posteriormente o engenheiro Júlio Frederico Koeler projetou o Palácio Imperial de Petrópolis.

O Barão do Campo Belo foi um grande influenciador de D. Pedro II para a construção de um ramal ferroviário da linha Central do Brasil até Vassouras. Possuía 365 escravos, sem contar as crianças, alojados em 25 senzalas, e milhares de cafeeiros em sua Fazenda Secretário.


O  BARÃO DE ITAMBÉ

No Brasil houve dois barões de Itambé, o primeiro chamava-se Francisco José Teixeira, nasceu em Conceição da Barra de Minas, povoado subordinado à Vila de São João Del Rei, em 06 de setembro de 1780 e foi minerador nas Minas Gerais. O segundo chamava-se Ernesto Justino da Silva Freire, nasceu em Pernambuco no ano de 1880 e foi coronel da Guarda Nacional.


Nos interessa a história do primeiro!

Francisco José Teixeira era filho do Capitão da Guarda Nacional Francisco Teixeira, português que veio para o Brasil explorar ouro no Rio das Mortes, em Minas Gerais, e de D. Ana Josefa de Souza. Seu pai faleceu aos 30 anos de idade.

Francisco José Teixeira, o Barão de Itambé, casou-se com Francisca Bernardina do Sacramento Leite Ribeiro. Tiveram onze filhos os quais se tornaram conhecidos como os irmãos Teixeira Leite e constituíram uma das mais influentes famílias do sul fluminense que se destacaram como capitalistas e fazendeiros, notadamente em Vassouras, para onde haviam se mudado no século XIX, no período da história do Brasil conhecido como o Ciclo do Café.

Dos irmãos Teixeira Leite destacaram-se Francisco José Teixeira Leite, produtor de café e senhor de escravos, intitulado depois de Barão de Vassouras, e Joaquim José Teixeira Leite, que tornou-se comissário de café. Financiava os produtores e intermediava a venda da produção da família e de outros fazendeiros, e realizava outros negócios paralelos. Fundou uma empresa de exportação no Rio de Janeiro, a Irmãos Teixeira Leite, e uma espécie de banco em Vassouras, a Casa dos Descontos.

O Barão de Itambé foi o avô paterno da grande benemérita vassourense Eufrásia Teixeira Leite. Recebeu o título nobiliárquico de Barão de Itambé por decreto imperial de D. Pedro II datado de 15 de novembro de 1846.

Francisco José Teixeira, homem de grande fortuna amealhada na mineração, reforçou sua riqueza financiando produtores de café da região, exemplo seguido por seu filho Joaquim José Teixeira Leite, que financiava e comercializava a produção da família e de outros fazendeiros. Possuía em Vassouras uma bela residência, hoje conhecida como o Palácio do Barão de Itambé, tombado pelo IPHAN, no coração da cidade, ao lado da Igreja Matriz de Nossa Senhora da Conceição, onde residia com toda a família. Faleceu em 22 de março de 1866, aos 86 anos, e foi sepultado no cemitério da irmandade de Nossa Senhora da Conceição, na cripta subterrânea de uma das mais monumentais sepulturas construídas no Brasil no século XIX.

Sua residência hoje pertence à Fundação Educacional Severino Sombra e abriga a Biblioteca Municipal Maurício Lacerda.

Como não era produtor de café não tinha necessidade de possuir muitos escravos, possuía apenas onze para cuidar, manter e atender as necessidades serviçais da residência de sua família e onde realizava seus negócios, a hoje denominada Casa da Hera.


O  BARÃO DO RIBEIRÃO

José de Avelar e Almeida, primeiro e único Barão do Ribeirão, viveu de 1810 a 1874, foi fazendeiro cafeicultor. Era filho de Manuel de Avelar e Almeida e de Susana Maria de Jesus, açorianos oriundos da Ilha das Flores. Casou-se com Ana Barbosa de Sá, natural de Vassouras.

Ana Barbosa de Sá era de família ilustre. Filha de Francisco Rodrigues Alves, o fundador de Vassouras, a quem, a 12/8/1782, foi concedida a sesmaria de Vassouras e Rio Bonito, irmã do 1º Barão de Santa Justa e tia do 2º e 3º Barões de Santa Justa, do Barão de Santa Fé, da Baronesa de Meneses e da Viscondessa de Ibituruna.

Foi proprietário das fazendas Cachoeira do Mato Dentro, Cachoeiro, e Ribeirão Alegre, depois Fazenda Cananeia. Foi pai do Barão, e depois, Visconde de Cananeia, do Barão de Massambará e do Barão de Avelar e Almeida.

Seu casarão, no centro de Vassouras, após a decadência do café, serviu de hotel, o Hotel Cananeia, (o primeiro hotel de Vassouras), de cadeia pública, de Câmara de Vereadores, de Fórum e de Prefeitura. Ainda hoje ostenta a inscrição Paço Municipal mas abriga atualmente a sede regional do IPHAN.

Pai de uma considerável prole, faleceu aos 64 anos, após longo período enfermo, deixando para a posteridade 14 filhos e 40 netos. Sepultado no cemitério Nossa Senhora da Conceição foi muito exaltado em seu necrológio publicado na imprensa vassourense como um homem exemplar, de forte caráter e probidade, de origem humilde que enriqueceu graças a muito trabalho na exploração do café.


O  BARÃO DE MASSAMBARÁ

Marcelino de Avelar e Almeida, o Barão de Massambará, nasceu em Vassouras, em 1822 e faleceu a 31/8/l898, no Rio de Janeiro, onde foi sepultado no cemitério do Catumbi. Filho de José de Avelar e Almeida, o Barão do Ribeirão, e de Ana Barbosa de Sá.

O Barão de Massambará era irmão do Visconde de Cananéia, e do Barão de Avelar e Almeida. Destacou-se na vida pública de Vassouras, onde foi Vereador em 1882 e presidente da Câmara Legislativa de 1882 a 1886. Na república, foi Presidente da Intendência Municipal (Câmara Municipal). Também foi benemérito da cidade: doou, em 1890, o terreno para o cemitério municipal; contribuiu com 500 mil réis para a aquisição de um prédio para escola pública; 200 mil réis para reparos na Estrada de Massambará; e 200 mil réis para a publicação das obras deixadas pelo Visconde de Araxá. Apoiou a construção do ramal ferroviário da Estrada de Ferro Pedro II, de Vassouras até Barão de Vassouras. Foi acionista da Cia. de Ferro Carril Vassourense da qual, em 1882, foi membro de sua diretoria. Pertenceu à Loja Maçônica "Estrela do Oriente", fundada em 1852 em Vassouras.



Nota: Antes do advento do ramal da Estrada de Ferro D. Pedro II até Vassouras a Cia. Ferro Carril Vassourense transportava passageiros de Vassouras até Barão de Vassouras em bondes puxados por mulas. O serviço funcionou de 1893 até 1914 quando foi desativado.  


O  VISCONDE DE CANANEIA

Bernardino Rodrigues de Avelar primeiro Barão de Cananeia (1868), e depois primeiro e único Visconde de Cananeia (1886), era um dos 14 filhos de José de Avelar e Almeida, o Barão do Ribeirão, e irmão do Barão de Massambará e do Barão de Avelar e Almeida.

Com a morte do pai, o Barão do Ribeirão, Bernardino Rodrigues Avelar, o então Barão de Cananeia, depois Visconde de Cananeia, herdou a Fazenda Ribeirão Alegre.

O Visconde de Cananeia foi um dos grandes beneméritos não só de Vassouras mas da região. Foi vereador por mais de 20 anos, de 1857 a 1877, tendo sido presidente da Câmara de 1865 a 1877. Ajudou na construção das estações ferroviárias de Oriente e da Serra, da Estrada de Ferro Pedro II as quais foram abertas ao tráfego em 1878, e, juntamente com seus irmãos, o Barão de Massambará e o Barão de Avelar e Almeida construíram a estação de Concórdia nas proximidades da Cachoeira do Mato Dentro.

Foi um dos fundadores e membro da primeira diretoria da Companhia Ferro Carril Vassourensse, que ligava a cidade de Vassouras à Estrada de Ferro D. Pedro II por meio de bondes puxados por burros. Foi membro da Irmandade da Santa Casa de Misericórdia de Vassouras, chegando a ser seu provedor em 1875.


Nota: Em 1876, hospedaram-se em seu belíssimo palacete, herdado de seu pai, o Barão do Ribeirão, a Princesa Imperial D. Isabel e seu marido o Conde d’Eu, que vieram especialmente para visitá-lo.


Por ocasião da epidemia de cólera, que atingiu Vassouras em 1880, foi um dos mais destacados combatentes da doença em todo o município, tendo inclusive empregado recursos próprios da ordem de 120 contos de réis (120:000$000 – cento e vinte milhões de réis) para aquisição de medicamentos, roupas e gêneros alimentícios e mais de 22 contos de réis (22:000$000 – vinte e dois milhões de réis) para outras finalidades. Essa despesa extraordinária associada à decadência da produção cafeeira abalou as finanças do então Barão de Cananéia mas não impediu que mais uma vez ele desembolsasse recursos próprios para socorrer a população de Vassouras quando outra epidemia, desta feita de febre amarela, atingiu a cidade dois anos depois, em 1882.

Ainda nesse ano de 1882 Vassouras assistiu a uma grande manifestação popular em homenagem ao Barão de Cananéia, movimento que ficou conhecido como Festa da Pobreza.

O visconde casou-se duas vezes, a primeira com uma prima-irmã chamada Carlota Elisa de Avelar com quem teve três filhos e uma filha. Do segundo matrimônio teve apenas uma filha, de nome Maria Virgília.

O Visconde de Cananeia hipotecou a Fazenda Ribeirão Alegre, de 124 hectares, ao irmão, o Barão de Massambará, o qual faleceu antes dele sem executar a hipoteca. Com a morte do visconde, ocorrida em 12 de abril de 1896, a Baronesa de Massambará resolveu executar a hipoteca e tornou-se a proprietária da Fazenda Ribeirão Alegre. A fazenda foi arrendada por um período e por fim foi vendida em 1912 para Guilherme Leme de Castro. Em 1920 já pertencia ao Coronel Manoel Gonçalves de Almeida mas permaneceu conhecida como a Fazenda do Cananeia.


O  BARÃO DO TINGUÁ

Pedro Correa e Castro, o Barão de Tinguá, era irmão de Laureano Correa e Castro, o Barão do Campo Belo.

Pouco se sabe a seu respeito exceto que nasceu em 1786, em Paraíba do Sul e faleceu em 1869, em Vassouras. Nunca se casou mas viveu maritalmente com uma negra chamada Laura Congo que fora escrava de sua mãe, com quem teve seis filhos e os reconheceu em testamento como seus legítimos herdeiros. Claro que foi discriminado inclusive por seus familiares escravocratas. Foi o fundador da Santa Casa de Misericórdia de Vassouras.

Seu título, Barão de Tinguá, outorgado em 1848, faz referência à Serra do Tinguá, onde corre o Rio Tinguá.


Nota 1 - Uma cena que hoje seria chamada de “saia justa” aconteceu quando a corte real e sua comitiva foram recebidos na residência do Barão do Tinguá. A mais alta elite do país, escravocrata, estava ali sendo recepcionada e tendo como anfitriã uma escrava alforriada. Laura Congo, a concubina do Barão.


Nota 2 - Conta-se que durante a visita da corte real à fazenda do Barão do Tinguá este, querendo fazer um mimo ao imperador, selecionou uma de suas mais belas escravas e durante uma semana a negrinha passou os dias em banho de imersão em água de flores. Durante a visita o barão a ofereceu para dormir com o imperador e no dia seguinte indagou deste o que achara do mimo que lhe fizera e o imperador respondeu: “Muito bom, mas não precisava ter tirado os temperos da negrinha!”.


JOAQUIM JOSÉ TEIXEIRA LEITE

Joaquim José Teixeira Leite, filho do Barão de Itambé e irmão do Barão de Vassouras não teve títulos mas foi um dos mais ricos e influentes membros da família Teixeira Leite e da Princesinha do Café. A família fizera fortuna inicialmente explorando ouro nas Minas Gerais. Veio para Vassouras com a construção da Estrada da Polícia, obra administrada por seu tio, Custódio Ferreira Leite, o Barão de Ayuruoca.

Em Vassouras tornou-se comissário de café. Negociava, vendia e exportava o café produzido pela família e outros produtores, financiava lavouras e realizava outros negócios. Criou uma empresa para exportação de café no Rio de Janeiro, a Joaquim Teixeira e Sobrinhos e uma espécie de banco rural em Vassouras, a Casa de Descontos, que emprestava dinheiro a juros aos fazendeiros da região e adquiria títulos da dívida nacional. Era um homem culto e erudito, bacharel em direito, foi presidente da Câmara de Vassouras por onze anos e vice-presidente da Província do Rio de Janeiro. A forma como optou por ser retratado no quadro presente no salão comercial de sua casa, a hoje Casa da Hera, e a variedade e amplitude de temas de sua biblioteca revelam ter sido ele um amante do conhecimento e do saber. Ao longo de sua vida, envolveu-se com os projetos para construção da Estrada de Ferro D. Pedro II (futura Central do Brasil) e defendeu a implantação de núcleos de colonos na região de Vassouras. Casou-se com Ana Esméria Teixeira Leite, filha do Barão do Campo Belo. Tiveram duas filhas: Francisca Bernardina e Eufrásia Teixeira Leite e um único filho homem que morreu na infância.

D. Ana Esméria faleceu em 1871 e um ano depois, em 1872 faleceu também Joaquim José, ficando órfãs Francisca Bernardina com 27 anos e Eufrásia com apenas 22 anos.



TITULADOS DE VASSOURAS

(Extraído do livro Vassouras, Recanto Histórico do Brasil, de Lielza Lemos Machado, historiadora decana, se não de direito mas de fato. O conhecimento da história de Vassouras passa por ela!)


27 Barões

1 - Barão de Santa Fé - José Rodrigues Alves Barbosa

2 - Primeiro Barão de Santa Justa - Jacinto Alves Barbosa

3 - Segundo Barão de Santa Justa - Francisco Alves Barbosa

4 - Terceiro Barão de Santa Justa - José Alves Rodrigues Barbosa

5 - Barão de Itambé - Francisco José Teixeira

6 - Barão de Vassouras - Francisco José Teixeira Leite

7 - Laureano Corrêa e Castro - Barão do Campo Belo

8 - Pedro Correa e Castro - Barão do Tinguá

9 – Barão do Ribeirão - José de Avelar e Almeida

10 - Barão de Massambará - Marcelino de Avelar e Almeida

11 - Barão de Avelar e Almeida - Laurindo de Avelar e Almeida

12 - Primeiro Barão do Amparo - Manuel Gomes de Carvalho

13 - Primeiro Barão de Capivari - Joaquim Ribeiro de Avelar (Pai)

14 - Barão de Guaribu - Cláudio Gomes Ribeiro de Avelar

15 - Primeiro Barão de São Luiz - Paulo Gomes Ribeiro de Avelar

16 - Segundo Barão de Pati do Alferes - Francisco Peixoto de Lacerda Wernwck

17 - Primeiro Barão de Palmeira - Francisco Quirino da Rocha

18 - Segundo Barão de Palmeira - Francisco Quirino da Rocha Werneck

19 - Barão de Werneck - José Quirino da Rocha Wernwck

20 - Segundo Barão de Ipiabas - Francisco Pinheiro Souza Wernwck

21 - Barão de Val Formoso - Leocádio Gomes Franklin

22 - Barão de Ayuruoca - Custódio Ferreira Leite

23 - Barão de Potency - Ignácio da América Pinheiro

24 - Barão de Aliança - Manoel Machado Vieira da Cunha

25 - Barão de Posta - Ignácio Barbosa dos Santos Wernwck

26 - Barão de Almeida Ramos - Joaquim de Almeida Ramos

27 - Segundo Barão de Javari - Jorge João Dordsworth


7 Viscondes  e  Viscondessas

1 - Viscondessa de Santa Justa - Bernardina Alves Barbosa

2 - Visconde de Araxá - Domiciano Leite Ribeiro

3 - Visconde de Cananeia - Bernardino Rodriogues de Avelar

4 - Visconde de Barra Mansa - João Gomes de Carvalho

5 - Visconde de Ubá - Joaquim Ribeiro de Avelar (Filho)

6 - Visconde de Parayba - João Gomes Ribeiro de Avelar

7 - Visconde de Ipiabas - Peregrino José de Américo Pinheiro

8 - Visconde de Taunay - Alfredo D’Escragnolle Taunay


2 Marqueses

1 - Marquês de São Marcos - Pedro Dias Paes Leme

2 - Marquês de Tamandaré - Joaquim Marques Lisboa


2 Condes

1 - Conde de Baependi - Braz Carneiro Nogueirada Costa Gama

2 - Condessa de Piedade - Engracia Maria da Costa Ribeiro Pereira




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