RESUMO HISTÓRICO

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UM  OLHAR  SOBE  VASSOURAS

( PARTE II )





RESUMO   HISTÓRICO


Embora o município de Vassouras tenha como seu fundador o açoriano Francisco Rodrigues Alves, a história dessa cidade começa bem antes, no século XVIII, quando Garcia Rodrigues Paes Leme, filho do famoso bandeirante Fernão Dias Paes Leme, o Caçador de Esmeraldas, recebeu uma sesmaria às margens do Rio Paraíba do Sul (na verdade foram quatro sesmarias para si e uma para cada um de seus doze filhos).

Nota: Sesmarias eram grandes extensões de terras ainda inexploradas que a coroa concedia a pioneiros.

Garcia Paes recebeu designação de D. João VI para construir o Caminho Novo ligando o Rio de Janeiro a Minas Gerais para servir de rota de transporte de ouro das Minas Gerais para embarque em portos do Rio de Janeiro com destino a Portugal.       A obra foi iniciada em 1700.

Antes o transporte do ouro era feito pelo Caminho Velho, uma rota precária e insegura que conduzia a Parati.   De Parati ao Rio de Janeiro o trecho era feito por mar, uma rota insegura e sujeita a ataques de piratas e desvios de mercadorias.    Daí que em 1698 Artur Sá de Menezes, então presidente da Província do Rio de Janeiro sugeriu à coroa a necessidade de se abrir um novo caminho mais curto e mais seguro.

No ano seguinte, 1699, chegou Carta Régia endereçada a Artur Sá autorizando a abertura do Caminho Novo.     A obra ficou a cargo de Garcia Rodrigues Paes Leme, que instalou suas fazendas às margens do Rio Paraíba do Sul, onde hoje encontra-se o município de Paraíba do Sul, e de lá partiu a construção do Caminho Novo.

Já em 1700 foi concluída a picada com passagem somente para pedestres mas a obra continuou com a finalidade de possibilitar a passagem de animais de carga, ficando concluída em 1707 com permissão para a cobrança de pedágio.

Nota:  Como se vê a ideia da cobrança de pedágios, hoje disseminada pelo país, é coisa já muito antiga!

Uma viagem das Minas Gerais para o Rio de Janeiro utilizando o Caminho Velho demorava aproximadamente três meses, utilizando o Caminho Novo o tempo ficou reduzido a um mês.

82 anos depois (1782) o açoriano Francisco Rodrigues Alves e seu sócio Luiz Homem de Azevedo receberam uma sesmaria na região, localizada no Sertão da Serra de Santana, Mato Dentro, por trás do Morro Azul.   Na localidade havia abundância de um arbusto da família das rubiáceas chamado tupeiçaba ou guaxima, muito utilizado para confeccionar vassouras, por isso o povo chamava esse arbusto de vassoura, ou vassourinha.    A sesmaria de Francisco Rodrigues Alves e Luiz Homem de Azevedo passou a chamar-se então Sesmaria de Vassouras.

Até próximo ao final do século XVIII o Caminho Novo era decretado como Área Protegida, não sendo permitida a existência de moradores no local, medida adotada para evitar desvios e contrabandos do ouro que passava por aquela estrada.

Pode-se nomear que o primeiro proprietário a ocupar as terras da cidade de Vassouras foi mesmo Francisco Rodrigues Alves, que a partir de 1792, já possuía cafezais em sua propriedade, embora só em quantidade suficiente para abastecer a família.

Novas sesmarias foram sendo concedidas pela coroa e posseiros vindos com as tropas começaram a se radicar e a povoar a localidade.

Contando com localização privilegiada não demorou muito para que o lugar se transformasse num ponto de parada de tropeiros e ganhasse desenvolvimento com a produção de cana de açúcarMas o que favoreceu mesmo o desenvolvimento, o enriquecimento e o grande destaque alcançado por Vassouras foi a produção do café e a construção da Estrada da Polícia no século XIX.


A Estrada da Polícia

Para escapar das patrulhas que percorriam as estradas os contrabandistas de ouro embrenhavam-se na mata saindo no atual distrito de São Sebastião dos Ferreiros para daí alcançar a baixada fluminense através do atual distrito de Xerém, em Duque de Caxias. Para interceptar a rota dos contrabandistas D. João VI ordenou, em 1816, que fosse construída uma nova estrada na região ligando o Rio de Janeiro ao sul de Minas Gerais passando pelo Vale do Paraíba. Encarregou dessa obra Custódio Ferreira Leite, o futuro Barão de Ayuruoca. Custódio trouxe para auxiliá-lo na tarefa sete sobrinhos pertencentes à família Teixeira Leite.

O trajeto da estrada cruzava o Rio Paraíba do Sul na localidade de Desengano, hoje Barão de Juparanã, distrito de Valença, seguindo até a localidade de Barão de Vassouras, passava pelo centro do atual município de Vassouras e seguia rumo à Serra de São Sebastião de Ferreiros e de lá, seguindo rota já aberta por contrabandistas, alcançava o atual distrito de Xerém, na Baixada Fluminense. A obra, porém, foi executada pela Intendência de Polícia do Rio de Janeiro por isso ficou sendo chamada de Estrada da Polícia.

Com 300 km de extensão a estrada começou a ser aberta em 1817, pelo Intendente de Polícia do Rio de Janeiro, Paulo Fernandes Vianna, uma das mais proeminentes figuras da Corte de D. João VI. Na mesma época iniciava-se uma nova cultura na região, a lavoura de café.

O café alcançou grande valor comercial e Vassouras passou a ser o maior produtor mundial do produto na época recebendo por isso o título de Princesinha do Café. O café produziu tamanha riqueza que foi cognominado de “ouro verde”.

A estrada da policia passou pelo centro de Vassouras e teve tão significativa importância para o escoamento do café que o Barão de Vassouras, referindo-se à estrada declarou que: “se construtores desviassem a estrada de Vassouras a cidade precisaria mudar-se pois era a única fonte de vida e prosperidade!”

Ao mesmo tempo em que o café ganhava destaque na economia o ouro escasseava-se na região das Minas Gerais e isso fez com que muitas famílias enriquecidas com o ouro mineiro se deslocassem para a região do Vale do Paraíba e adquirissem grandes propriedades passando então a produzir ouro verde. Entre os que vieram destacaram-se Laureano Correa e Castro, o futuro Barão do Campo Belo e Francisco José Teixeira, o futuro Barão de Itambé, os Avelar e outras famílias influentes: Avelar e Almeida, Werneck, Gomes Ribeiro, Souza Coutinho, Botelho, Correa e Castro, Teixeira Leite, Leite Ribeiro, Barbosa de Almeida, Magalhães Cabral, Fernandes, Lacerda, e outras mais. As que mais se destacaram foram Correa e Castro e Teixeira Leite.

Enriquecida com a economia cafeeira Vassouras transformou-se num dos principais núcleos da aristocracia fluminense e seus principais produtores foram titulados pela coroa portuguesa passando a cidade a ser cognominada de A Cidade dos Barões.    Em Vassouras residiram 25 barões, 7 marqueses, uma condessa, dois viscondes e uma viscondessa. 

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