A CASA DA HERA
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A CASA DA HERA
A Casa da Hera tem esse nome porque está totalmente envolvida por uma erva chamada hera. Por volta do ano de 1840 Joaquim José Teixeira Leite adquiriu uma chácara com uma grande casa em Vassouras na qual passou a residir com sua esposa Ana Esméria Teixeira Leite.
A Casa foi ao mesmo tempo residência, um centro de negócios e palco de intensa vida social, um local onde se fazia comércio, se discutia finanças e política e se recebiam convidados importantes para magnânimos saraus. Por lá transitaram homens e mulheres ilustres da época e nela nasceram as duas filhas do casal: Francisca Bernardina e Eufrásia Teixeira Leite.
A chácara tinha a área de 240 mil metros quadrados, hoje possui apenas 33 mil. Está aberta à visitação pública e constitui-se num dos principais atrativos para os visitantes e turistas.
A princípio suas paredes externas eram caiadas mas em 1897 o caseiro Manoel da Silva Rebelo, que guardava a casa enquanto Eufrásia vivia em Paris, pediu permissão e plantou a hera que aos poucos cobriu toda a casa e lhe conferiu o aspecto singular que hoje apresenta. Internamente as paredes são revestidas com papel de parede com estampas relativas a cada setor.
Um aspecto interessante também é a quantidade de janelas, 69 ao todo e o fato de que os vidros estão instalados por fora das janelas. Na cultura daquele tempo quanto mais janelas tivesse a casa mais rico e destacado era seu proprietário. Entretanto, as alcovas (quartos que o comissário disponibilizava para pernoite dos negociantes que vinham comerciar) não tinham janelas por medida de segurança, e, dizem, para não oferecer conforto e desencorajar os hóspedes de uma permanência mais demorada. E a instalação dos vidros pelo lado de fora das janelas era mais uma forma de ostentação de riqueza pois na época os vidros eram importados e de alto custo. Tter vidros nas janelas era um luxo para poucos.
Em Vassouras é comum a existência de casas antigas com muitas janelas e de janelas com vidros instalados externamente.
A Casa da Hera está preservada como nos tempos de seus proprietários, apenas com alguns restauros, em especial no revestimento de algumas paredes.
Está dividida em cinco setores ou áreas funcionais:
* Área Comercial
* Área de Serviços
* Área Íntima
* Área das Alcovas
* Área Social
Área Comercial:
Na área comercial as paredes da grande sala de negócios são revestidas com papel de parede representando os cafezais e o grão de café, seu principal produto de negócios. Ainda estão preservados e na mesma disposição a mesa de negociações e todo o mobiliário e decoração com todo o requinte.
A área é composta de um grande salão, a sala comercial, onde fazendeiros, políticos, comerciantes e demais negociantes realizavam sua transações com Joaquim José, que não era somente comissário de café mas, também, financista. Faz parte da área comercial ainda o escritório com um mobiliário interessante contendo uma escrivaninha que era ao mesmo tempo cofre com fundo falso, e um estereoscópio, um precursor da imagem 3D, onde eram colocadas duas fotos que ao serem observadas através do aparelho davam a ilusão de profundidade.
Em uma das paredes da sala comercial estão dependurados dois quadros supostamente pintados por Leonardo da Vincci. Um representa a gula o outro a avareza. Através deles o comerciante pretendia passar uma mensagem sublimar aos seus clientes: o primeiro para que não fossem gulosos, comprando em excesso e ficando depois em dificuldades para quitar os compromissos financeiros, o segundo para que também não fossem avarentos comprando de menos quando tinham condições de comprar mais.
Área de Serviços
Como o nome indica, era a área onde os escravos executavam os serviços da casa.
A copa e a cozinha são áreas de serviço destinadas aos afazeres domésticos. Na copa existem armários embutidos, uma mesa de madeira de lei e uma cristaleira modelo Chimpendale. A cristaleira foi doação de Francisco Reis Neto, um descendente do Marquês de Piabanhas e as louças foram doadas pela sra. Iacy Martins Corrêa e Castro.
O fogão inicial, à lenha, fazia da cozinha um ambiente quente e cheio de fuligem. O atual foi adquirido da Fazenda São Fidelis, pertencente ao Barão de Santa Justa, o pilão e as panelas de ferro com pegadores foram doação do Sr. Gerson Ribas Tambasco. Dos objetos originários da Casa da Hera destacam-se o pilão de pedra vulcânica, a máquina de costura manual e um moedor de grãos, doado pela Sra. Nelli Napoli Veneziani.
Área Íntima
Era uma área reservada somente para a família. Uma porta isola essa área do restante da casa.
Os quartos eram aposentos bastante simples, se comparados ao requinte dos demais ambientes, talvez por serem ambientes restritos somente à família. Havia quarto de banhar-se, quarto de vestir-se, quartos de dormir e a biblioteca com obras raras de literatura nacional e internacional e muito material sobre direito. Joaquim José era advogado.
No quarto maior, supostamente o quarto do casal, há uma pintura representando a ceia de Emaús datada do século XIX. Sobre a penteadeira há um oratório de Nossa Senhora da Glória e um porta-terço confeccionado em madeira e metal dourado, e, acima, uma imagem do Arco do Triunfo. O tapete de veludo à porta foi importado da Alemanha e data de 1922.
No quarto das filhas destaca-se a cama confeccionada no Brasil na segunda metade do século XIX, no estilo Império, com arremates laterais em forma de cabeça de cisne. Há também um quadro pintado de Eufrásia Teixeira Leite aos 18 anos, com vestido negro decotado, cabelos cortados bem curto e portando um leque, acessório indispensável ao requinte da época. Há também uma imagem da Virgem Maria, do século XIX, obra de C. J. Predier inspirado em gravura de Rafael, uma imagem da Sagrada Família feita por M. F. Dian, também inspirado em pintura de Rafael e uma imagem da Imaculada Conceição feita na França por E. Massard segundo pintura de Murilo no século XIX.
Na Biblioteca existem cerca de mil livros e três mil jornais e revistas da época em vários idiomas, um quadro pintado do Barão de Itambé (Francisco José Teixeira, pai de Joaquim José), um quadro da Baronesa de Itambé (Francisca Bernardina do Sacramento Leite Ribeiro, sua mãe) e uma vitrola marca RCA Victor.
OBS.: Ambos os retratos foram transferidos para ao salão de entrada da casa.
Área das Alcovas
Alcovas eram quartos reservados para os hóspedes, geralmente comerciantes que permaneciam alguns dias em negociação. As alcovas são os únicos compartimentos da casa que não têm janelas e a área é isolada do restante da casa por uma porta que dá para um hall com acesso à saída.
Nota: Contam-se que após o recolhimento dos hóspedes para dormir nas alcovas Joaquim José as trancava por fora como medida extrema de segurança para evitar qualquer tipo de incidente, porém os guias da visita não confirmam essa afirmação.
Joaquim José negociava regularmente com mais de 200 clientes.
No hall, em frente às alcovas há um jardim de inverno projetado para além de embelezar o recinto com belas flores iluminar e ventilar os compartimentos em seu entorno. As roseiras mais antigas contam com mais de cem anos e são de uma espécie que não têm espinhos.
Área Social
Era onde a família se reunia com os convidados ilustres e promovia os grandes saraus da época.
É composta por:
* Salão Vermelho
* Salão Amarelo
* Sala de Jantar.
Salão Vermelho
No Salão Vermelho aconteciam os bailes e saraus, as grandes festas do século XIX. Nele a família recebia os convidados ilustres e apresentavam-se renomados artistas, entre eles a famosa Chiquinha Gonzaga.
Destaca-se nesse salão o piano de cauda longa, fabricado pelo famoso pianista e compositor austríaco Henri Herz, no qual Eufrásia também se apresentava. Atualmente existem apenas dois desses pianos em funcionamento em todo o mundo: O do Museu Casa da Hera, e um outro em Estrasburgo, na França, sendo que esse último já passou por várias restaurações. Afirmam os guias que o da Casa da Era ainda funciona encontrando-se apenas desafinado.
Salão Amarelo
O salão amarelo era reservado aos homens. Nele os homens se reuniam para conversar, discutir negócios e política e para fumar charutos e mascar tabaco, por isso há nas proximidades das cadeiras algumas escarradeiras de ágata.
Destaca-se nesse salão o belíssimo lustre de cristal da Boêmia com as cores da bandeira da Itália.
Tanto no Salão Vermelho como no Salão Amarelo destacam-se a decoração em estilo neo-rococó; o mobiliário, no estilo Luiz Felipe e os espelhos e lustres de cristal, italianos.
Sala de Jantar
Nessa sala eram realizadas as refeições de caráter social e jantares de confraternização. A mesa é elástica, isto é, há um artifício que permite aumentar ou reduzir o seu tamanho de acordo com a quantidade de comensais possibilitando refeição para até 16 pessoas simultaneamente. Sobre ela encontra-se um rico aparelho de jantar em porcelana com filetes de ouro. Há uma cristaleira com louças da família. As peças são personalizadas pelo monograma com as iniciais JJTL de Joaquim José Teixeira Leite, este era um costume aristocrático da época. Os talheres que compõem a mesa pertenceram ao Barão do Campo Belo, pai de D. Ana Esméria, avô de Eufrásia, e também estão personalizados pelo seu monograma LCC de Laureano Corrêa e Castro.
Nota: O conjunto de talheres não é original da casa! Foi adquirido através de leilão.
Ao lado da mesa está um conjunto mobiliário estilo austríaco de autoria de Michael Thonet, um marceneiro austríaco cujos filhos instalaram uma fábrica em Viena, a empresa Gebrüder Thonet.
Na sala de jantar as mulheres se reuniam após as refeições para tomar café e conversar.
Pela suntuosidade e o luxo dos salões percebe-se que a família, além de muito rica era grande anfitriã e tinha o hábito de receber convidados e oferecer regularmente bailes e saraus. Certamente que esse costume valorizava e destacava a família e aumentava seu prestígio social.
Nota: Na casa, hoje, além do mobiliário, quadros e objetos de uso doméstico e funcionais há ainda uma coleção de trajes de origem francesa considerada das mais importantes do Brasil.
Observação pessoal:
Talvez a única falha em tudo que Eufrásia realizou seja o fato de que fez tudo sozinha. Administrou magistralmente uma herança de cerca de 750 milhões de reais (réis, na época), transformando-a durante 57 anos em mais de 37 bilhões de reais. Já que não tinha herdeiros diretos e não pretendia deixar herança para parentes preferindo doar sua fortuna para ordens religiosas e entidades filantrópicas, poderia ter criado uma fundação para administrá-la, o que não o fez, isso leva a crer que a decisão de destinar sua riqueza do modo como o fez tenha sido tomada nos últimos anos de sua vida. O resultado disso é que tudo aquilo que foi construído sob instruções e orientações testamentárias ou não funciona ou funciona de modo particular. O colégio dos meninos virou SENAI mas funcionou por uns tempos apenas, encerrando suas atividades na cidade em 2017, no colégio das meninas, entregue à administração das irmãs Regina Coeli, funcionava o PIM, Projeto de Integração pela Música, o qual transferiu-se para o palácio do Barão de Massambará, o hospital que leva seu nome, administrado pela Santa Casa de Misericórdia de Vassouras funciona conveniado com o SUS e de modo particular. E este talvez seja o mais significativo resultado de sua herança e seu testaento.
Fontes:
https://pt.wikipedia.org/wiki/Museu_Casa_da_Hera
http://www.cultura.rj.gov.br/espaco/museu-casa-da-hera
A Sinhazinha Emancipada de Miridan Britto Falci e Hildete Pereira de Melo.


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